Cursos Prof. Chafic

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Desenhos infantis revelam sonhos e ajudam a identificar problemas como agressividade, timidez ou insegurança

Desenhos infantis revelam sonhos e ajudam a identificar problemas como agressividade, timidez ou insegurança
Por Rose Campos (Extraído)

É inevitável: em algum momento toda criança pede papel e lápis para desenhar. O resultado pode variar de rabiscos, bolinhas e manchas disformes até a indefectível casinha, mas dificilmente será uma transposição fiel da realidade. Poucos adultos conseguem perceber o quanto o desenho infantil pode ser revelador: traduz o grau de maturidade da criança, seu equilíbrio emocional e afetivo, seu estágio de desenvolvimento motor e cognitivo.

Pais que dão pouca atenção às garatujas produzidas por seus filhos ou educadores que encaram a atividade de desenhar como um tapa-buracos para os instantes de sua ausência em sala de aula estão perdendo uma grande oportunidade. Em muitos casos, o desenho pode expressar sensações e sentimentos que a criança não conseguiria mostrar de outra forma. Observando melhor as linhas do desenho infantil, é possível descobrir atrasos no ritmo de desenvolvimento, excesso de timidez ou mesmo dificuldades no relacionamento familiar.

Embora não haja regras fixas, há muito a ser observado no desenho. O exemplo da casinha, tão comum na temática infantil, por si só já é bastante rico. Casas feitas no ar, sem um chão, uma base, podem representar essa falta de parâmetros ou de segurança da criança. Janelas e portas muito pequenas podem significar sua dificuldade de abertura e de contato com o mundo externo. Ou podem ter conotação de tristeza ou timidez. Uma grande variação de cores pode representar alegria e expansão. O telhado da casa costuma ser muito importante, pois simboliza o conteúdo de sonhos e fantasias.

Os primeiros registros de linguagem escrita, ainda na pré-história, tinham a significativa forma de desenhos. As chamadas pinturas rupestres, encontradas nas paredes de antigas cavernas, traziam a representação simbólica da forma de viver do homem primitivo, seus conhecimentos, seus medos, suas divindades. De forma análoga, assim como foi marcante nos primórdios da evolução histórica, também no início do processo de desenvolvimento humano, o desenho cumpre um papel relevante.

"O desenho surge antes da escrita e se constitui numa forma de expressão bastante espontânea da criança, revelando sua maneira de ver o mundo", resume Mônica Guttmann, psicóloga e especialista em arte-terapia e arte-educação pelo Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo.

"A criança está integralmente presente em tudo o que faz, principalmente quando existe um espaço emocional que o permita. Existe um pensar por trás do seu fazer, por trás de suas pequenas operações, como subir e descer uma escada, balançar insistentemente um chocalho, amassar um papel", comenta Edith Derdyk, artista plástica e educadora, em seu livro Formas de Pensar o Desenho (leia mais na pág. 34).

Nem sempre o adulto consegue captar no papel a rapidez do raciocínio infantil. Se a criança desenha uma chuva que derrubou a casa, talvez seja porque ela está passando por um momento tempestuoso. Mas logo depois ela pode vislumbrar e desenhar o sol. Misturas de temas como essas podem ser erroneamente interpretadas como algo confuso ou conflitante. Por isso é tão relevante observar também o contexto e dialogar com os pequenos desenhistas.

Maria Alice Proença é coordenadora de educação infantil da Escola Lourenço Castanho e trabalha no maternal com crianças de 1 a 4 anos. O desenho e outras expressões artísticas ocupam espaço privilegiado no projeto pedagógico da escola e são vistos como outras formas de comunicação da criança, sem a preocupação em avaliar. "O educador olha se a criança está explorando os movimentos das garatujas, procurando oferecer estímulos", diz Maria Alice. Ela explica que se o aluno não ocupa todo o espaço da folha, provavelmente não ocupe todo o espaço do ambiente – o que pode acontecer por pura timidez (leia mais no quadro à pág. 35). Se for assim, a professora leva a criança a explorar melhor o pátio da escola, por exemplo.

Até os 4 anos, as crianças ainda não desenham figuras, mas há uma evolução nas garatujas. O traçado começa linear, passa a ser circular e aos poucos a criança sai de pontos específicos e consegue usar todo o papel. A escolha de cores não é tão importante nessa idade, quando os arabescos tendem a ser monocromáticos. Quando a criança consegue evoluir das linhas retas para as bolinhas é sinal de que está concluindo o maternal. "E aí já se refere a si como ‘eu’", explica Maria Alice. Coincidentemente, o fechamento do círculo no papel simboliza o fechamento do ciclo básico do desenvolvimento, importante tanto para sua estruturação como indivíduo quanto para formar a competência para a escrita.

Tereza Cristina Pedroso Ajzenberg, psicóloga especializada em gestalt terapia e arte-terapia pelo Instituto Sedes Sapientiae, ressalta que o desenho conta tanto da realidade objetiva quanto da subjetiva de quem o faz.

Ela explica que há uma ampla gama de sinais reveladores nessa produção, mas eles não devem ser avaliados segundo um padrão. E aconselha investigar não necessariamente o diferente, mas aquilo que denota tristeza ou angústia. Desenhar e apagar seguidamente pode revelar apenas a preocupação em apresentar um resultado bonito. Ou, em alguns casos, certa angústia. Discernir entre uma situação e outra pressupõe contato e interação com o autor do desenho, não privilegiando o resultado estético, mas a história que a criança deseja contar. A representação de um acidente, por exemplo, não faz necessariamente parte da vida da criança. Às vezes, surge em seu desenho depois de algo visto na rua ou na TV.

"Buscar o desenho na comunicação com crianças é privilegiar um referencial mais próximo delas", defende Paula Fontana Fonseca, psicanalista. Ela vê os recursos lúdicos como fortes aliados em situações traumáticas, mesmo quando a criança já domina o discurso verbal. O desenho pode ser de grande ajuda para a criança em situações como a violência doméstica – quando há dificuldade em falar, falta de compreensão do que aconteceu ou incapacidade de dar nome aos próprios sentimentos.

Myrian Bove Fernandes, gestalt terapeuta, alerta para o perigo de se tirar conclusões precipitadas por causa do desenho dos pequenos: "Imaginar que uma criança tem problema porque só pinta usando a cor preta, por exemplo, pode ser muito perigoso. Ela pode ter escolhido a cor porque dá mais contraste no papel e fica mais bonito."

Myrian lembra a preocupação de um profissional e dos pais de um garoto com o hábito do filho de picar minhocas. Procuravam investigar a causa de sua agressividade até ouvi-lo dizer para a minhoca esquartejada: "Olha, agora você já tem muitos amiguinhos." O caso serve para lembrar que enquanto o adulto corre o risco de se fechar em grandes teorias e volteios de interpretações, a criança pode simplesmente dizer que "não é nada disso."

Um dos testes clássicos com utilização do desenho infantil é denominado HTP (sigla para House, Tree, Person, "casa", "árvore" e "pessoa"). Trata-se de um tipo de teste de projeção e recebe esse nome por ter o objetivo de fazer a pessoa expressar fora o que está dentro. Os três elementos do HTP foram escolhidos por serem símbolos universais. Crianças de todo o mundo, em qualquer tempo, repetirão esses símbolos. A casa oferece uma riqueza de interpretações tanto no sentido de representar o abrigo familiar quanto a estrutura psicodinâmica da própria criança. A árvore representaria suas relações com o mundo e a pessoa, o "eu". O HTP é um teste com fundamento científico comprovado, bastante utilizado nas clínicas de atendimento psicoterapêutico infantil e em algumas instituições.

Tereza Cristina afirma que a grande preocupação com a criança, principalmente na escola, é com relação à alfabetização e ao rápido domínio da linguagem escrita. Não haveria problema se essa expectativa de competência não concorresse, ao mesmo tempo, com uma certa repressão do ato de desenhar. "Questões de lateralidade e uso de espaço, que poderiam ser mais bem resolvidas com a experiência do desenho, acabam sendo prejudicadas pela escrita."

A psicóloga conta que tem recebido em seu consultório crianças muito inibidas para desenhar. Uma delas, de 6 anos, havia sido informada para não fazer mais olho em formato de bolinha – tinha de se preocupar com as dobras das pálpebras. Enquanto são pressionadas pelo excesso de rigor estético em desenhos dos quais se exige cada vez mais realismo, as crianças são privadas de exercitar livremente a criatividade.

Aicil Franco, psicóloga clínica com formação junguiana, trabalha com crianças, adolescentes e adultos. Se a criança sente-se insegura para desenhar, Aicil aconselha o uso da argila ou da pintura. Além de ajudar a criança a se expressar, essas atividades proporcionam um equilíbrio emocional capaz de prevenir doenças físicas e afetivas. "Se o professor se conscientizar de que o desenho, o teatro e a brincadeira são essenciais no mundo da criança, pode usar esses recursos para ensinar até matemática", acredita.

O mais importante, entretanto, é perceber o quanto a criança se sente orgulhosa daquilo que faz. São atitudes altamente positivas a da mãe ao emoldurar o desenho do filho ou a do professor ao expor a ilustração do aluno no quadro da classe. A pior resposta do adulto é a indiferença.

Fonte: http://www.revistaeducacao.com.br/apresenta2.php?pag_id=401&edicao=264

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Curso a distância: Leitura do desenho infantil


Para inscrever-se acesse: http://www.chafic.com.br

Abordagem: psicopedagógica e psicanalítica.

A quem se destina: Psicopedagogos, professores de educação infantil, psicólogos, psicanalistas, fonoaudiólogos e demais educadores.

Carga horária: 80h/a - totalmente a distância.

Investimento: R$145,00 (parcela única).

Inclui: Apostila, material de apoio, suporte, certificado e participação vitalícia no Grupo Virtual de Estudos sobre desenho infantil com biblioteca temática e fórum permanente.

Para inscrever-se acesse: http://www.chafic.com.br

Franquia: Psicólogos, psicopedagogos e pedagogos que quiserem ministrar este curso na modalidade presencial em sua cidade poderão adquirir licença anual (R$450,00) para utilizar na íntegra os materiais (apostila, slides, exercícios etc) e ter o seu nome/curso divulgado neste site.

Tópicos abordados:
- Teorias sobre o construto infantil
- Fases do desenho infantil
- Quadrantes da folha e seus significados
- Indícios de vestibulopatia nos desenhos
- Cores: o que elas podem indicar?
- Textura: energia e pressão no desenhar
- Formas: análise geométrica das figuras
- O desenho e avaliação psicopedagógica

Metodologia e materiais:

O cursista receberá apostila impressa em seu endereço, CD contendo pequena biblioteca temática, será inscrito no Grupo exclusivo para estudos permanentes, realizará coleta e leitura de três desenhos e receberá suporte por e-mail e chat.

Sistema de avaliação:
- Participação em Fórum virtual do Grupo de estudos
- Responder questionário ao final da apostila
- Realizar coleta e leitura de três desenhos conforme folha de rosto fornecida pela tutoria

Certificação: ABMP/DF Associação Brasileira de Medicina Psicossomática do Distrito Federal.

Para inscrever-se acesse: http://www.chafic.com.br

quinta-feira, 12 de junho de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Leitura do desenho infantil em abordagem psicopedagógica

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos teve bom resultado ao utilizar desenhos para avaliar problemas psicológicos e emocionais de crianças de até 5 anos. Os cientistas deram questionários aos jovens, sugerindo problemas emocionais em outras crianças. Para responder, os jovens analisados precisavam marcar as alternativas com desenhos.

O estudo foi feito com 107 crianças e suas mães responderam aos mesmos questionários. Os pesquisadores perceberam diversos problemas como ansiedade, depressão e distúrbios de atenção, como a hiperatividade. Cerca de 15% a 20% das crianças analisadas apresentaram problemas emocionais e comportamentais.

Quando os pesquisadores compararam os resultados com um padrão de medição eles perceberam que as respostas das crianças eram um bom indicador de problemas potenciais. A conclusão do estudo é que os médicos podem e devem utilizar mais as próprias crianças para avaliarem os seus problemas emocionais.

Segundo a drª Beth Wildman, que participou do estudo, os médicos costumam passar menos de 15 minutos com uma criança, em média, o que impede um conhecimento mais profundo do seu comportamento. O estudo foi publicado na última edição do Archives of Family Medicine.

Serviço:
Faça sua pré-reserva no curso de análise de desenho em abordagem psicopedagógica.

Data: 08 de agosto de 2008
Carga horária: 15 horas
Horário: das 19:00 às 22:00 horas
Local: Centro Acadêmico IMPAR / Taguatinga – DF
Investimento: R$ 120,00 - Inclui certificado e material de apoio.
Pagamento em até 12X no cartão de crédito, exclusivo para mercado pago.

Facilitador: Chafic Jbeili - psicanalista e psicopedagogo
Com 10 anos de experiência, desenvolve palestras sobre educação, processos ensino-aprendizagem, família e saúde do professor. Promove vivências entre equipes técnicas e grupos de trabalho de diversas escolas. Presta consultoria e treinamento a professores, orientadores educacionais, gestores escolares e psicopedagogos que necessitam compreender a dinâmica de seus alunos ou clientes e proceder intervenções mais precisas e adequadas.

www.chafic.com.br

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Criança e Aprendizagem

Roger Cousinet

A criança não deve aprender a ciência, deve inventá-la. Cumpre deixá-la “tocar em tudo, manejar tudo”, usar incessantemente essa experiência que “se antecipa às lições”, deixá-la pensar em lugar de pensar por ela. “Como está incessantemente em movimento, é forçada a observar muitas coisas, a conhecer muitos efeitos, adquire cedo grande experiência, toma as suas lições com a natureza e não com os homens, instrui-se tanto melhor quanto não vê em coisa alguma a intenção de instruí-la”. É quase a fórmula de Dewey: learning by doing.

A aprendizagem não é nem imitação mais ou menos servil, nem repetição, nem mesmo exercício de imitação (como os temas do mesmo nome); é uma atividade que não precisa ser provocada nem mantida pelo educador, porque se exerce e se desenvolve naturalmente sempre que a criança julgue interessantes e úteis por si mesmos os objetos em que se exercita. A criança “julga, prevê, raciocina em tudo que se refere imediatamente a ela”.

Age, explora, investiga, descobre, inventa. Aí está a verdadeira educação, que não tem necessidade de lições de mestres ou de livros. Basta colocar a criança num meio suficientemente rico, suficientemente nutritivo do ponto de vista intelectual, para que espontaneamente ela se mova e empregue a atividade que lhe permite conhecê-lo sem qualquer intervenção do educador. Observa, experimenta e, a um tempo, adquire, assim, conhecimentos científicos e forma em si mesma (o que é muito mais precioso) um espírito científico.

Aprende a conhecer o mundo que a cerca imediatamente, e não segundo um programa estabelecido pelo mestre, que decide tal ou qual objeto, tal ou qual fenômeno devem ser observados, mas de acordo com seu interesse.

Roger Cousinet
Educador Francês
Em seu livro A Educação Nova (1959)

domingo, 18 de maio de 2008

Cartilha Burnout (Chafic Jbeili)

Cartilha elaborada pelo psicanalista e psicopedagogo Chafic Jbeili para informação e prevenção de burnout.

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terça-feira, 13 de maio de 2008

Chafic Jbeili: Qualidade de vida: um estilo inspirado na criança!

Chafic Jbeili: Qualidade de vida: um estilo inspirado na criança!

Etapas do desenvolvimento humano

Pré-natal

Zigoto, 0 a 2 semanas

Embrião

2 semanas a 2 meses

Feto

2 a 9 meses

Neonatal (início da primeira infância)

Nascimento

Primeira Infância (intermediária)

2 a 15 meses (1 a 3 m)

Fase Final da 1a. Infância

15 meses (1 a 3 m) a 30 meses (2 a 6 m)

Início da 2a. Infância

2 ½ a 6 anos

2a. Infância (Intermediária)

6 a 9 ou 10 anos

Fase final da 2a. Infância (pré - adolescência)

Meninas 9 a 11 ½ anos

Meninos 10 a 12 ½ anos

Puberdade (início da adolescência)

Meninas 11 ½ a 14 anos

Meninos 12 ½ a 15 ½ anos

Adolescência (intermediária)

Meninas 14 a 16 anos

Meninos 15 ½ a 18 anos

Final da adolescência

Moças 16 a 20 anos

Rapazes 18 a 22 anos

Início da fase adulta

Mulheres 20 a 30 anos

Homens 22 a 35 anos

Fase adulta intermediária

Mulheres 30 a 45 anos

Homens 35 a 50 anos

Final da fase adulta

Mulheres 45 a 60 anos

Homens 50 a 65 anos

Senescência

Mulheres 60 anos até a morte

Homens 65 anos até a morte

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Invariantes Pedagógicas de Freinet


1. A criança é da mesma natureza que o adulto.

2. Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros.

3. O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado fisiológico, orgânico e constitucional.


4. A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias.

5. A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto siginifica obedecer passivamente uma ordem externa.

6. Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular, ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante.


7. Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa escolha não seja a mais vantajosa.

8. Nnguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa.

9. É fundamental a motivação para o trabalho.


10. É preciso abolir a escolástica.

10- a. Todos querem ser bem-sucedidos. O fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo.

10- b. Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho.


11. Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos essenciais da escola - as únicas vias normais de aquisição de conhecimento, mas a experência tateante,que é uma conduta natural e universal.


12. A memória, tão preconizada pela escola, não é válida, nem preciosa, a não ser quando está integrada no tateamento experimental,onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida.


13. As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como às vezes se crê, mas sim pela experîencia. Estudar primeiro regras e leis é colocar o carro na frente dos bois.

14. A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um circuito fechado, independente dos demais elementos vitais do indivíduo, como ensina a escolástica.

15. A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua fora da realidade fica fixada na memória por meio de palavras e idéias.


16. A criança não gosta de receber lições autoritárias.

17. A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende aos rumos de sua vida.

18. A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções. Isso carcteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida publicamente.


19. As notas e classificações constituem sempre um erro.


20. Fale o menos possível.


21. A criança não gosta de sujeitar-se a um trabalho em rebanho. Ela prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa.


22. A ordem e a disciplina são necessárias na aula.

23. Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não passam de paliativo.

24. A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam, incluindo o educador.


25. A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico.


26. A concepção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao anonimato, o que é sempre um erro e cria barreiras.

27. A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola. Um regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas.

28. Uma das primeiras condições da renovação da escola é o respeito à criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade.


29. A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica, é uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evitá-la ou modificá-la.


30. É preciso ter esperança otimista na vida. (Sampaio, 1989: 81-99)

Principais características das Teorias de Aprendizagem

Epistemologia Genética de Piaget Ponto central: estrutura cognitiva do sujeito. As estruturas cognitivas mudam através dos processos de adaptação: assimilação e acomodação. A assimilação envolve a interpretação de eventos em termos de estruturas cognitivas existentes, enquanto que a acomodação se refere à mudança da estrutura cognitiva para compreender o meio. Níveis diferentes de desenvolvimento cognitivo.

Teoria Construtivista de Bruner O aprendizado é um processo ativo, baseado em seus conhecimentos prévios e os que estão sendo estudados. O aprendiz filtra e transforma a nova informação, infere hipóteses e toma decisões. Aprendiz é participante ativo no processo de aquisição de conhecimento. Instrução relacionada a contextos e experiências pessoais.

Teoria Sócio-Cultural de Vygotsky Desenvolvimento cognitivo é limitado a um determinado potencial para cada intervalo de idade (ZPD); o indivíduo deve estar inserido em um grupo social e aprende o que seu grupo produz; o conhecimento surge primeiro no grupo, para só depois ser interiorizado. A aprendizagem ocorre no relacionamento do aluno com o professor e com outros alunos.

Aprendizagem baseada em Problemas/ Instrução ancorada
(John Bransford & the CTGV) Aprendizagem se inicia com um problema a ser resolvido. Aprendizado baseado em tecnologia. As atividades de aprendizado e ensino devem ser criadas em torno de uma "âncora", que deve ser algum tipo de estudo de um caso ou uma situação envolvendo um problema.

Teoria da Flexibilidade Cognitiva (R. Spiro, P. Feltovitch & R. Coulson) Trata da transferência do conhecimento e das habilidades. É especialmente formulada para dar suporte ao uso da tecnologia interativa. As atividades de aprendizado precisam fornecer diferentes representações de conteúdo.

Aprendizado Situado (J. Lave) Aprendizagem ocorre em função da atividade, contexto e cultura e ambiente social na qual está inserida. O aprendizado é fortemente relacionado com a prática e não pode ser dissociado dela.

Gestaltismo Enfatiza a percepção ao invés da resposta. A resposta é considerada como o sinal de que a aprendizagem ocorreu e não como parte integral do processo. Não enfatiza a seqüência estímulo-resposta, mas o contexto ou campo no qual o estímulo ocorre e o insight tem origem, quando a relação entre estímulo e o campo é percebida pelo aprendiz.

Teoria da Inclusão (D. Ausubel) O fator mais importante de aprendizagem é o que o aluno já sabe. Para ocorrer a aprendizagem, conceitos relevantes e inclusivos devem estar claros e disponíveis na estrutura cognitiva do indivíduo. A aprendizagem ocorre quando uma nova informação ancora-se em conceitos ou proposições relevantes preexistentes.

Aprendizado Experimental (C. Rogers) Deve-se buscar sempre o aprendizado experimental, pois as pessoas aprendem melhor aquilo que é necessário. O interesse e a motivação são essenciais para o aprendizado bem sucedido. Enfatiza a importância do aspecto interacional do aprendizado. O professor e o aluno aparecem como os co-responsáveis pela aprendizagem.

Inteligências múltiplas (Gardner) No processo de ensino, deve-se procurar identificar as inteligências mais marcantes em cada aprendiz e tentar explorá-las para atingir o objetivo final, que é o aprendizado de determinado conteúdo.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O que é a Aprendizagem?

Aprendizagem é um processo de mudança de comportamento...
...obtido através da experiência construída por fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. De acordo com a nova ênfase educacional, centrada na aprendizagem, o professor é co-autor do processo de aprendizagem dos alunos. Nesse enfoque centrado na aprendizagem, o conhecimento é construído e reconstruído continuamente.

Quando a educação é construída pelo sujeito da aprendizagem, no cenário escolar prevalecem a resignificação dos sujeitos, novas coreografias, novas formas de comunicação e a construção de novas habilidades, caracterizando competências e atitudes significativas. Nos bastidores da aprendizagem há a participação, mediação e interatividade, porque há um novo ambiente de aprendizagem, remodelização dos papéis dos atores e co-autores do processo, desarticulação de incertezas e novas formas de interação mediadas pela orientação, condução e facilitação dos caminhos a seguir.

A Educação como interatividade contempla tempos e espaços novos, dialogo problematização e produção própria dos educandos. O professor exerce a sua habilidade de mediador das construções de aprendizagem. E mediar é intervir para promover mudanças. Como mediador, o docente passa a ser comunicador, colaborador e exerce a criatividade do seu papel de co-autor do processo de aprender dos alunos.

Na relação desse novo encontro pedagógico, professores e alunos interagem usando a co-responsabilidade, a confiança, a dialogicidade fazendo a auto-avaliação de suas funções. Isso é fundamental, pois nesse encontro, professor e alunos vão construindo novos modos de se praticar a educação. É necessário que o trabalho escolar seja competente para abdicar a cidadania tutelada, ultrapassar a cidadania assistida, para chegar à cidadania emancipada, que exige sujeitos capazes de fazerem história própria. Saber pensar é uma das estratégias mais decisivas. O ser humano precisa saber fazer e, principalmente, saber fazer-se oportunidade. (DEMO, Política Social do Conhecimento).

Os objetivos da aprendizagem são classificados em: domínio cognitivo (ligados a conhecimentos, informações ou capacidades intelectuais); domínio afetivo, (relacionados a sentimentos, emoções, gostos ou atitudes); domínio psicomotor (que ressaltam o uso e a coordenação dos músculos). No domínio cognitivo temos as habilidades de memorização, compreensão, aplicação, análise, síntese e a avaliação. No domínio afetivo temos habilidades de receptividade, resposta, valorização, organização e caracterização. No domínio psicomotor apresentamos habilidades relacionadas a movimentos básicos fundamentais, movimentos reflexos, habilidades perceptivas e físicas e a comunicação não discursiva.

A educação vista sobre o prisma da aprendizagem, representa a vez da voz, o resgate da vez e a oportunidade de ser levado em consideração. O conhecimento como cooperação, criatividade e criticidade, fomenta a liberdade e a coragem para transformar, sendo que o aprendiz se torna no sujeito ator como protagonista da sua aprendizagem. “
Porque nós estamos na educação formando o sujeito capaz de ter história própria, e não história copiada, reproduzida, na sombra dos outros, parasitária. Uma história que permita ao sujeito participar da sociedade”. (Pedro Demo).
Ref: DEMO, Política Social do Conhecimento.

Amélia Hamze
ahamze@uol.com.br

terça-feira, 15 de abril de 2008

O fascinante poder da aprendizagem (Chafic Jbeili)


Poder não é só para heróis dos quadrinhos ou da TV. Não é mera ficção existencial, antes, é força de ânimo e energia de vontade. Poder também indica posses. Chamo de poder toda e qualquer iniciativa para, arriscando-se, conseguir o que se pretende no nível em que se é hábil ou capaz. Neste sentido, "poder de aprendizagem" é canalizar com destreza a latente força humana que emana da energia psíquica, para saciar o desejo de saber, do latim sapere, "ter gosto".

O que é fascinante no exercício deste poder é o esforço em saborear o sentido natural da vida, aprendendo a utilizar com prudência, moderação e objetividade as informações e o conhecimento que se apossou, visando qualidade na integração pessoal e social. A isto chamo de desenvolvimento sadio da capacidade e potencial, intelectual e moral, da pessoa humana em todas as fases de sua vida.

A metanóia humana inicia-se com a aprendizagem. É deste transformar fundamental do pensamento que se efetiva a evolução e a manutenção da vida em todos os sentidos. Aprender é incluir-se no contexto humano como gente. Gente que pensa, que fala e que escreve. Gente que cria e que destrói, não para saciar Tanatos, mas para fomentar Eros no reconstruir o pensar, o fazer ou o aprender, não importa. Aprender liberta, iguala, estabelece e evidencia o ser aprendente. É ele quem traz à existência o ser ensinante. Este paradoxo educacional é fantástico, vez que o aluno, que quer dizer "sem luz", traz à luz aquele considerado iluminado, o seu próprio Mestre!

Poder aprender é condição fascinante na medida em que é quase mágica e totalmente encantadora. O irresistível ato de aprender tem em si força de gravidade vertical, que atrai aleatória e espontaneamente gente de todas as idades, raças, sexos e status sociais. Este ímpeto é reforçado pela tácita tendência humana à satisfação de seus questionamentos e a necessidade em desvelar o desconhecido. Na verdade, o ser aprendente não busca uma resposta, mas a confirmação daquilo que desconfia em sua imaginação. Sendo assim, serão mais beneficiadas nos processos da aprendizagem aquelas pessoas, da criança ao idoso, cuja imaginação seja estimulada e cujas curiosidades não sofram repressão, censura ou mesmo escárnio.

Neste contexto, bom ensinante não é aquele que busca aprovação de seus alunos ou discípulos, querendo provar desesperadamente sua capacidade e seu brilhantismo mas, o bom ensinante é aquele que faz o aprendente perceber-se único, brilhante e capaz. Nas palavras de Hermann Hesse, o ser ensinante original é aquele que diz ao ser aprendente: "Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".

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Faça seu comentário à respeito do texto e emita opinião pessoal sobre como a tecnolgia pode colaborar com a aprendizagem.

"Estar atento significa estar disponível ao espanto. Sem espanto não há ciência, não há criação artística. O espanto é um momento do processo de pesquisa, de busca. Essa postura de abertura ao espanto é uma exigência fundamental ao educador e à educadora. [...] O espanto não é o medo que ele tem nem é coisa de ignorante. O espanto revela a busca do saber."(Paulo Freire)

Cartilha burnout em professores. Distribua!

Análise do desenho infantil em perspectiva psicopedagógica